Climate foods: marcas, dietas ecorresponsáveis e crise climática

Victor Mirabet

Climate foods: marcas, dietas ecorresponsáveis e crise climática

Com o imperativo climático nas nossas agendas, as marcas de alimentação e de bebidas deverão oferecer aos novos consumidores uma dieta alimentícia mais ecorresponsável. Isto afetará diretamente como se escolhem, se apresentam, se compram e se consomem estes produtos.

Uma transformação que acabou de começar e terá um impacto no propósito, no posicionamento, na comunicação e apresentação das marcas e no seu processo de ativação.

Alinhando-se com propósitos de marca cada vez mais ecorresponsáveis, pois são cada vez maiores as exigências das pessoas em relação a esta tendência, a indústria alimentar está prestes a experienciar grandes mudanças nos produtos que oferece à sua audiência, desde os seus ingredientes e embalagens, os seus menus e receitas, até às apresentações e informações dos mesmos.

Os consumidores estão conscientes de que as suas opções e decisões de consumo – e, consequentemente, as ações de toda a indústria agroalimentar derivada – têm um enorme impacto ambiental e social para as suas comunidades locais.

Por isso, uma vez que deixou de ser sustentável e não temos um planeta B, é o momento de mudar muitos dos nossos hábitos de alimentação.

Mudanças sociais

A sociedade exige uma resposta urgente por parte das marcas, cujos propósitos devem ser mais ecorresponsáveis, e exige que se alinhem com estes hábitos de consumo mais sustentáveis, responsáveis e saludáveis, para poder exercer uma responsabilidade nas suas decisões de compra.

Segundo o YouGov (UK), 64% dos cidadãos britânicos manifesta o desejo de reduzir a pegada de carbono na sia alimentação e 50% está disposto a abdicar da carne na sua dieta.

Além disso, os consumidores valorizam o impacto causado pelas empresas em fatores como o consumo energético no fabrico de ração animal, o consumo de água, os efeitos na nossa saúde, o tratamento de resíduos, o tratamento dos animais, o uso de antibióticos, a pegada de carbono da cadeia de administração, etc.

A lista de reclamações torna-se longa, cara e não muito favorável à “better life”, principalmente para produtos de origem animal.

Um reflexo disto é a transformação que estamos a assistir no mercado da fast food, no qual a ONU se posicionou já a favor das dietas vegetarianas. Uma primeira chamada de atenção muito significativa num produto-estrela da nossa dieta europeia.

O vegano e o vegetariano aposta bem longe e pode diminuir até 5 vezes a pegada de carbono. Não é pouca coisa!

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Fonte: Barnsley Hospital (2016)

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Alternativas de consumo

Novas alternativas de consumo, mais ou menos disruptivas ou conseguidas, novas espécies, frutos, leguminosas, plantas, sementes, algas ou até insetos estão continuamente no foco e são investigados pelos gigantes da alimentação e do retalho. A IKEA é um exemplo desta mudança.

Vamo-nos habituando aos hambúrgueres vegetais, à massa com base de legumes, a chips de algas, a gelados veganos à base de chá ou de plantas, ou até “ovo vegano mexido” feito à base de mungo ou soja verde perante os “ovos mexidos” tradicionais, de ovos de produção ao ar livre e que têm um maior impacto na pegada de carbono.

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Fonte: Greenparadise.com.mx (2020)

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Fonte: Delish.com (2018)

Calcular a nossa pegada de carbono

Também aparecem novos websites e apps, como os ‘carbon footprint calculators‘ que oferecem cálculos imediatos de qualquer opção de alimento ou dieta, explicando preto no branco o impacto daquilo que comemos ou compramos.

Os propósitos das marcas são mais ecorresponsáveis. Por isso, algumas delas introduzem cada vez mais informação sobre a origem, muito mais informações nutricionais, ou embalagens informativas didáticas sobre hábitos, além de de rever seriamente todo o seu packaging e entrar em pleno na economia circular do triplo R (reduce, recycle, reuse).

A Nestlé, por exemplo, está a estudar uma forma de informar sobre a pegada de carbono das suas marcas.

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Fonte: Oroeco.com

Estes são alguns exemplos daquilo que está para vir e do que poderá afetar mercados enormes.

As disrupções serão importantes e as marcas deverão lidar ou adaptar-se de forma estratégica e com rapidez a esta alteração para oferecer experiências de marca mais positivas para as pessoas e mais favoráveis para o planeta.

As marcas que não reagirem a tempo podem ver o seu crescimento penalizado de forma bastante imediata.

Ao contrário, para que cujos propósitos de marca sejam mais ecorresponsáveis e incorporem neste seu modelo esta realidade, abrem-se enormes oportunidades de diferenciação, de extensão e crescimento, de inovação e ligação a novos targets.

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