Packaging sustentável: quatro chaves

Isabel Santomé

Packaging sustentável: quatro chaves

O termo anglo-saxão packaging faz referência ao processo de design, engenharia de produção e acondicionamento de produtos. Mas o que é um packaging sustentável? A conceção ecológica de uma embalagem implica incorporar a variável ambiental em todo o processo de desenvolvimento, do design e produção até ao empacotamento e transporte do produto.

Trata-se de um processo complexo que envolve muitas variáveis, mas que pode transformar-se num autêntico elemento de valor, se for realizado da forma adequada e com base num conhecimento exaustivo.

Quatro chaves para um packaging sustentável

Vivemos numa cultura baseada no consumo rápido (produzir, consumir e descartar), o que significa que as matérias-primas e a energia utilizadas na produção das embalagens acabam por se transformar rapidamente em resíduos e emissões. Tendo em conta a quantidade de produtos de utilização única que uma só pessoa é capaz de consumir ao longo de um dia, o impacto deste modus operandi está a prejudicar o planeta. Os consumidores têm consciência disso e pedem mudanças às marcas.

A conceção ecológica tem como objetivo romper com esta cultura e repensar a forma como o packaging é desenvolvido, para que este gere um impacto positivo ou, pelo menos, não tão negativo.

Estas são quatro chaves nesse sentido:

1.- A sustentabilidade não é um claim

Algumas das embalagens que se anunciam como sendo «100% recicláveis» acabam por não o ser. Para serem regeneradas, devem passar por um processo com custos tão elevados que nem sempre podem ser assumidos, pelo que acabam por se transformar em resíduos.

Por este motivo, as empresas devem ser rigorosas na informação que transmitem sobre as embalagens ou iniciativas de reciclagem. Aderir à sustentabilidade não é colocar um claim na embalagem. Exige estabelecer estratégias bem fundamentadas, baseadas em informações honestas e testadas.

2.- A sustentabilidade total não existe

É importante conhecer e compreender que qualquer ação tem um impacto. Assim, o importante não é tentar eliminar por completo o nosso impacto, mas sim termos consciência do mesmo e tratar de reduzi-lo ao máximo.

3.- Utilizar «bons materiais» não é suficiente

Uma das práticas mais comuns em prol da sustentabilidade é escolher materiais que respeitam o ambiente. Porém, optar por componentes recicláveis, biodegradáveis ou compostáveis não é a solução perfeita.

Cada material tem o seu próprio impacto e processo de reciclagem. Deste modo, não se trata de escolher entre materiais recicláveis ou biodegradáveis, por conveniência ou em função das modas, mas sim de decidir, para um dado produto, qual é o material que faz mais sentido utilizar.

4.- Mais além do próprio packaging sustentável: transporte e logística

Hoje em dia, os processos de design industrial e de produto têm em consideração, na maior parte dos casos, apenas os inputs ou insights de vendas, pesquisa de mercado e desenho. Não obstante, um design sustentável é aquele que logo desde a conceção tem em conta argumentos tais como as medidas das paletes – universais e inalteráveis – para adaptar-se a elas com o objetivo de otimizar a carga e o transporte dos produtos. Tudo o que não seja conceptualizado nesta perspetiva constitui uma abordagem incorreta do ponto de vista da sustentabilidade.

Vejamos um exemplo. Se atualmente a tendência em tecnologia móvel fossem os terminais com ecrãs de 5.3 polegadas, um design não sustentável seria aquele que atendesse apenas a esta lógica. Seriam fabricadas e desenhadas embalagens de produto e, por último, uma caixa de transporte. Uma vez produzidas, seriam carregadas em paletes tantas quanto fosse possível.

Uma abordagem realmente sustentável é aquela em que a fase de design incorpora um estudo logístico para determinar se, por exemplo, com um ecrã de 5.1 polegadas, poderiam ser colocados mais 100 terminais por palete, reduzindo assim o número de unidades necessárias e, consequentemente, o número de camiões e emissões de CO2. Trata-se de uma ligeira mudança no produto que tem um grande impacto na modularidade e na logística. E, por conseguinte, nos custos económicos e ambientais.

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