Palavra de imagem

Josep Maria Mir

Palavra de imagem

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Esta é a sua grandeza… e a nossa infelicidade.

A dos designers gráficos.

É uma infelicidade para todos os que se dedicam a tentar resolver problemas de comunicação através da imagem. Porque uma imagem, por si só, admite uma variedade ilimitada de reações interpretativas e emocionais. A mesma imagem é «lida» de forma diferente, própria e individual, por cada pessoa, e esta leitura pode inclusivamente ser diferente em função do momento em que ocorra.

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– É um bosque
– É outono!
– Férias
– Desconexão, paz
– Entardecer…
– Amanhecer

O facto de haver tanta informação numa imagem faz com que cada pessoa faça a leitura que lhe pareça mais interessante e plausível num determinado momento. Inclusivamente em imagens tão simples como esta. Como disse, até um mesmo observador pode mudar a sua perceção de acordo com o seu estado de espírito.

E isto é algo que, na nossa profissão, uma profissão em que trabalhamos com imagens, não nos podemos permitir. Para cada imagem que propomos, devemos procurar definir a leitura que queremos que seja feita em primeira instância. Essa e mais nenhuma.

Palavras incorporadas, imagens que são palavras

Esta é a razão pela qual quase todos os nossos projetos exigem incorporar palavras (textos) na imagem.
Palavras que servem para reduzir ao máximo o leque de «leituras» possíveis de uma imagem, com o objetivo de que a ou as leituras que o recetor faça sejam (ou estejam entre) as desejadas e não outras.

Por exemplo: uma piscadela é uma piscadela. Porém, nela podemos ver humor, sedução, cumplicidade, algo festivo… A piscadela é tão universal e polissémica que precisa da palavra para que a sua perceção seja exatamente a que se procura. É então que a imagem se manifesta e é percebida como esperado, como aqui.

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Palavras que são imagens

Na verdade, não são poucas as ocasiões em que fazemos de uma palavra «a imagem», como é o caso dos logótipos – etimologicamente, logótipo significa a forma da palavra, isto é, a sua imagem.

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Noutras ocasiões, convertemos uma imagem «na palavra», como acontece com os pictogramas de sinalização, que são imagens que têm uma única leitura possível, uma espécie de «alfabeto de símbolos» de caráter universal. São palavras visuais que não permitem leituras duplas, ainda que, como todas as linguagens, tenham de ser previamente aprendidas.

Um exemplo disso são os sinais de trânsito. Trata-se, na verdade, de palavras-símbolos de uma linguagem comum a todas as culturas. Ou quase.


Em conclusão, enquanto designers gráficos, o nosso trabalho sempre consistiu e consistirá em tentar controlar aquilo que o recetor imagina a partir da imagem que lhe propomos.

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